sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Rei da Glória


Salmo 24 - Salmo da Davi
1 Ao SENHOR pertencem a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele habitam.
2 Porque ele a estabeleceu sobre os mares e firmou-a sobre as correntes.
3 Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem poderá permanecer no seu santo lugar?
4 Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega sua vida à mentira, nem jura com engano.
5 Esse receberá uma bênção do SENHOR e a justiça do Deus que lhe dá salvação.
6 Assim é a geração dos que o buscam, dos que buscam tua presença, ó Deus de Jacó. Interlúdio
7 Levantai, ó portas, as vossas cabeças;* levantai-vos, ó entradas eternas, para que entre o Rei da Glória.
8 Quem é o Rei da Glória? O SENHOR forte e poderoso, o SENHOR poderoso na batalha.
9 Erguei-vos, ó portas; erguei-vos, ó entradas eternas, para que entre o Rei da Glória.
10 Quem é esse Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos; ele é o Rei da Glória.
(Almeida 21)

O salmista foi Davi, o rei. O rei das batalhas, o rei das vitórias, o rei da conquista de toda a terra prometida, ajuntando todas as tribos e conquistando todos os inimigos. Porém, isto não lhe traz arrogância e olhares para si mesmo neste salmo, mas a visão daquele a quem pertencem todas as coisas: Eu sou o que sou. Eu sou o que sou é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Eu sou o que sou é o Deus revelado a Moisés, citando "seu nome". Este é o SENHOR a quem pertence a terra! O grande EU SOU é o dono da terra, e tudo que existe no mundo é dele, são seus os habitantes desta terra. Ricos, pobres, de qualquer língua e nação, justos e injusto, todos pertencem ao EU SOU.
Pertencem, pois ele criou.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito existiria. Mas isso se refere a ao Filho, não ao Deus Pai. Porém, quando vemos o EU SOU, nos referimos a Deus, tão logo nos referimos ao Verbo, ao Filho. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. O Verbo é Deus. Jesus é o EU SOU. Jesus disse “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que Eu Sou, morrereis em vossos pecados” em João 8.24, frisando que todos os que não crerem que ele é o EU SOU, morrerão em seus pecados. Jesus criou todas as coisas, Jesus é o dono de tudo o que existe, dono da terra, do mundo, e de quem habita nele, pois o criou o mundo, estabeleceu sobre os mares e firmou sua criação. A divindade de Cristo mostra seu domínio universal.

THE CONQUERORS - by Charles Ross Weede --Alexander & Jesus (crown and crown of thorns) 
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O salmista, em poesia e canto, pergunta quem subirá para habitar com o EU SOU, divino criador, achega-se a ele e permanece perante sua santidade. Davi responde a si mesmo, em tom de adoração: o que é limpo de mãos, puro de coração, não entrega a vida à mentira, não jura com engano. Para a comunhão com a luz, não pode haver trevas! A perfeição é exigida e é encontrada nos adoradores de Deus. Porém, olhando nossas mãos, nosso coração, nossa vida e nossas palavras, nós e nenhum outro filho de Adão consegue ser assim. Não temos, em nós, a capacidade de sermos perfeitos ou bons o suficiente para habitarmos com Deus.
 
Mas, há um homem que pode, há um homem que é.

Um homem sem pecados nas mãos, sem mal no coração, que é a própria verdade e toda palavra, sem chance de engano, será cumprida. Esse é o que possui toda benção divina e a quem pertence salvação, em quem há geração exclusiva de quem busca a Deus. O próprio Deus se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. Este homem perfeito é o próprio Deus, é o próprio EU SOU. Ele veio para resgatar-nos, e ele é digno de subir ao monte do Senhor, fumegante, com trovões, relâmpagos de luz inacessível. Ele é digno de permanecer no santo lugar, e veio nos falar de um caminho para lá. Veio nos mostrar que ele é este caminho. Veio restaurar o homem que não pode salvar-se a si mesmo, veio ser o Rei, mas os seus não o receberam. Foi perfeito e poderoso em obras, curando, ensinando, amando.

O que fizemos com ele?

Ele tinha mãos limpas, santas e imaculadas, mas depositamos nosso pecado sobre elas. Ele tinha um coração puro, como nenhum outro pode ser, mas escolhemos soltar Barrabás. Ele não se entregou a mentira, mas o entregamos à condenação dissimulada de um inocente, sob falsas testemunhas e distorcidas acusações. Ele não jura com engano, mas tentávamos suas palavras dizendo: “Se és Filho de Deus, desça da cruz, salve a si mesmo”. Mas ele não precisava ser salvo, mas foi cuspido, surrado, zombado, blasfemado e castigado. Em nosso lugar. Foi humilhado como nenhum de nós, mas no lugar de todos nós. O único digno foi morto.

Mas importava que fosse assim.

O povo que viu as maravilhas de Deus ao ser liberto do Egito não ouviu a voz de Deus, e seu pecado foi punido com o envio de serpentes venenosas. Porém, uma serpente de bronze levantada sob a ordem de Deus foi a salvação de todo aquele que, mordido, olhasse para a serpente. Não apenas um olhar curioso, nem um olhar com suspeitas, mas um olhar de dor e sofrimento em direção da única salvação possível. Como Jesus disse a Nicodemos em João 3.14-15: "E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Levante seus olhos e o veja, pois não há outro lugar onde podemos ver salvação, não há outra cura para nossa rebelião, não há outra visão a não ser daquela cruz, onde o carpinteiro que tanto pregou madeiras em sua vida foi pregado num madeiro na sua morte. Ele foi levantado numa cruz e feito maldito em nosso lugar, mas foi ressuscitado dos mortos e feito o mais bendito entre todos os homens. Ao que foi feito maldito na cruz, Deus o fez bendito por todos os séculos. Nós, em vestes limpas pelo seu sacrifício e mais brancas que a pura e límpida neve, bradamos que seja bendito o cordeiro.
O servo sofredor que agonizou no Jardim intercedendo "Aba", que padeceu no Calvário dizendo "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste", é o mesmo que foi feito Senhor e Cristo, e que nos diz: "Todo poder o Pai me deu na terra e no céu". E seu poder na terra é sua soberania sobre tudo o que existe, mas especialmente sobre uma geração, aquela que busca a face do Deus de Jacó, e vê essa face em Cristo. Mas seu poder no céu é de domínio e majestade. Ele conquistou-nos e, por seu sacrifício, pagou o preço dos nossos pecados, nos tornando puros nele, para ele e através dele.
Esse Jesus foi morto e, permanecendo assim três dias, levantou-se novamente. Ao terceiro dia ele ressuscitou. Ressurgiu em esplendor de poder e majestade, e ele vive. O autor da vida venceu a morte e está vivo! A promessa foi que ele viveria novamente, a promessa foi que o servo de Deus não veria a corrupção de seu corpo, a promessa foi que o servo sofredor prolongaria seus dias, e ele não faz promessas com engano. O homem perfeito e Deus perfeito surgiu novamente em resplendor, sendo o primogênito da criação e agora, o primogênito dos mortos, em uma restauração de sua criação.
Esteve com os seus por quarenta dias e retornou para a glória, ascendendo aos céus. Este relato é grandioso neste salmo. Levantai, ó portas, as vossas cabeças! O momento da ascensão do Cristo ressurreto e vitorioso, que enfrentou a batalha que nós não poderíamos, é cantado como a entrada de Jesus aos portões celestes! Levantai, ó portas, as vossas cabeças! Levantai-vos, entradas eternos, para que entre o Rei da Glória. Em outras palavras, abram-se os portões da eternidade, pois entrará o rei. Quem é este Rei? É o EU SOU vitorioso, forte leão da Tribo de Judá, que é poderoso na batalha e que se assenta à destra do Pai. Apenas ele é totalmente digno, em si mesmo, de adentrar e permanecer na santa morada!

Mas, cada um de nós, igreja, entraremos com ele.

O que ele consumou nos dá vestes limpas e faz-nos sermos chamados de santos, e permaneceremos com ele, adentrando os portais eternos. Como a cabeça entraria, e não seu corpo? Como o esposo entraria sem a esposa, sendo um só? Como um rei não regeria seu reino para lá, sem o povo que lhe pertence? Como um irmão deixaria seus irmãos, embora adotivos, fora de sua família, adotados com todo seu amor. A ressureição e ascensão de Cristo nos traz esta gloriosa mensagem de esperança: ele entrou nos céus e, unidos pela fé que nos concede o grande autor da fé, entraremos também com ele, pois ele virá. Jesus está vivo, e temos a certeza de que o Rei da Glória adentrará novamente os céus, mas conosco. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai e erguei-vos, entradas eternas. Esta é a geração dos que buscam tua face, grande EU SOU, e a vemos no Filho, Jesus. Jesus é o Rei da Glória.
Sermão da manhã de Páscoa pregado na 3ª Igreja Batista em Presidente Prudente

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Espírito Santo: Doutrinas da graça x Dispensacionalismo de J. Dwight Pentecost



Ao ler algumas posições dispensacionalistas aplicadas à interpretação escatológica, é perceptível o zelo pela interpretação literal dos textos e uma notável preocupação com a harmonização dos vários discursos referentes à vinda de Cristo. Porém, para conseguir tais feitos, surge, dentre outras, uma grande pedra de tropeço dispensacional: as doutrinas da graça.

Para a soteriologia reformada, a salvação vem do Senhor. Tal afirmação molda o pensar das doutrinas da graça e, como pilares de tais doutrinas, estão as ações do Pai, Filho e Espírito Santo.

Mais especificamente, dentro das ações do Espírito Santo, podemos destacar, entre outras a regeneração. Para Schwertley, a regeneração é “um ato soberano do Espírito Santo sobre o coração (ou a natureza humana toda) da pessoa, no qual a alma é espiritualmente vivificada ou permanentemente orientada numa direção centrada em Deus”. Como bem sabemos, o ensino de Cristo diz que o que é nascido da carne é carne, e o que nascido do Espírito é espírito, sendo que aquele não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. São verdades absolutas, não limitadas à um período da história, mas extensivas a todo ser humano pecador. Paulo, aos Romanos, descreve “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Esse trecho de Romanos 8, versos 8 e 9, nos esclarecem que é impossível que o não regenerado agrade a Deus e que o regenerado é habitação do Espírito Santo.



Neste ponto, há uma grande inconsistência entre as doutrinas da graça e o dispensacionalismo. Conforme o Manual de Escatologia de J. Dwight Pentecost (p. 356): "Devemos notar que o Espírito Santo não assumiu um ministério de habitação em todos os crentes no Antigo Testamento, mas o Senhor, referindo-se a alguém sob essa economia, mostra claramente que a salvação era pela operação do Espírito Santo". Para defender a tese da saída do Espírito Santo no período tribulacional, o autor se vê obrigado a argumentar que o Espírito Santo pode agir para salvação sem habitar o salvo, ensino rigorosamente antibíblico e preocupante. Essa postura é notada nesta frase de Pentescost (p. 346): "Já que todos os ministérios do Espírito para o crente hoje dependem da Sua presença habitando nele, todos os ministérios dela dependentes estarão ausentes em relação aos santos da tribulação" (grifo nosso). Por esse ensino conflitante com as escrituras, percebemos que o dispensacionalismo de Pentecost é uma negação da necessidade do Espírito Santo habitando como penhor da salvação.

Como o excelente artigo de Mauro Meister do site Voltemos ao Evangelho narra, o Espírito Santo habitava os crentes do Antigo Testamento. Não há qualquer vínculo das doutrinas da graça com a ausência do Espírito Santo no salvo, em qualquer época. Logo, temos divisão bem clara e evidente: ou se posiciona dentro das doutrinas da graça, ou se admite o dispensacionalismo de J. Dwight Pentecost.

SCHWERTLEY, Brian. A obra do Espírito Santo nos crentes. Disponível em <www.monergismo.com/textos/regeneracao/obra-espirito-crentes_schwertley.pdf>. Acesso em 26 abr. 2017
PENTECOST, J. D. Manual de Escatologia. Disponível em: <isagogebiblica.xpg.uol.com.br/manual-de-escatologia.doc>. Acesso em 26 abr. 2017
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/habitacao-espirito-santo-nos-crentes-definicoes/
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/habitacao-espirito-santo-nos-crentes-dificuldades/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Teologia pobre poderia mantê-lo distante de uma fé real



Vamos repensar o que significa estar "perto" de Jesus.


"Você tem um relacionamento pessoal com Jesus Cristo?"

Ao longo da minha vida, fui apresentado com esta questão centenas (se não milhares) de vezes. Crescer na igreja, ter um "relacionamento" com Jesus foi apresentado como a marca de uma autêntica fé cristã e a garantia primária da salvação pessoal. Ser "salvo" significava que Jesus vivia "em seu coração" por meio da fé, tornando possível um "relacionamento" com Deus.

Mas entrar em um relacionamento com Jesus foi apenas o primeiro passo da fé cristã. De acordo com o pastor de minha juventude, o objetivo final da vida cristã era aproximar-se cada vez mais de Jesus, e isso só poderia acontecer com tempo e esforço sério.


Embora "próximo" e "pessoal" nunca tenham sido realmente definidos (e estranhamente subjetivos), uma coisa estava clara: para ter um relacionamento íntimo com Jesus, eu precisava fazer certas coisas que faziam Deus sorrir - coisas como orar, ler a Bíblia e frequentar a igreja regularmente. Acima de tudo, eu precisava não fazer as coisas que Deus franzia a testa - coisas como fumar, beber e mastigar tabaco ou sair com garotas que os fazem (você ouviu isso também, certo?). Quanto mais fiel e comprometido estava com essas coisas, mais perto eu poderia chegar a Jesus.

Ao menos, foi o que me disseram.

Com o tempo, fiquei convencido de que minha proximidade com Jesus era de alguma forma contingente com a fidelidade de minha devoção espiritual. O que eu quero dizer é que, quando eu era fiel em orando, lendo a Bíblia e fazendo o que deveria, eu me considerava "íntimo" de Jesus. Quando eu não conseguia fazer essas coisas (o que muitas vezes era o caso), eu achei que eu estava "longe" dele. Eu me empurrei entre o sentimento longe de Jesus quando eu não estava fazendo como deveria, e desejando estar perto ainda quando eu estava. A montanha russa espiritual era nauseante (e exaustiva).

Não antes de eu chegar ao fim do meu esforço, tropecei na compreensão chocante de que Jesus nunca quis estar "perto" de mim em primeiro lugar.
 

Pelo contrário, ele sempre desejou ser "perfeitamente um" comigo em vez de estar perto (João 14.20, João 15.5, João 17.20-26, I Coríntios 6.17). Em outras palavras, quando eu imaginava uma relação entre dois indivíduos, Deus tinha algo muito mais íntimo (e próximo) em mente - uma união completa e perfeita com ele.

Essa mudança sutil em meu pensamento - do "relacionamento" à "união" - transformou radicalmente a compreensão de minha relação com (e relacionamento com) Deus, comigo mesmo e com aqueles que me rodeiam. Foi então que eu descobri, nas palavras de Phillip Yancey, "o Jesus que eu nunca conheci".

Antes de despertar para a liberdade de minha união com Cristo, passei duas décadas bufando e soprando para me aproximar cada vez mais de Jesus. Embora eu tenha vivido muitos momentos agradáveis ​​e memoráveis ​​com o Senhor, muitos dos meus esforços saíram pela culatra – fazendo-me sentir frustrado, desiludido e mais longe de Deus do que antes.

Embora esta não seja a experiência de todos, certamente era minha; E pode ser a sua também. Se assim for, aqui estão três maneiras que meu relacionamento com Jesus quase matou minha vida espiritual.

O objetivo era proximidade em vez de conformidade.

Ao pensar sobre meu relacionamento com Jesus, imaginei Jesus em algum lugar do lado de fora de mim e de mim do lado de fora dele. Minha vida, então, tornou-se uma grande tentativa de alcançar uma proximidade maior de Jesus, em vez de ser conformada na imagem daquele em quem eu já estava unido. Frases como "perseguir duramente a Deus" e "pressionar o coração de Deus" tornaram-se comuns - reforçando a noção de que Jesus estava "lá fora" - esperando pacientemente que eu me aproximasse dele.

A oração, a leitura das Escrituras e coisas semelhantes tornaram-se os caminhos que me aproximaram de Jesus, ao invés de recursos cheios de graça para me ajudar a despertar e apreciar o que já era verdadeiro de mim EM Cristo. Determinado a estar perto de Jesus (e ficar lá), juntei-me a um pequeno grupo na minha igreja. Eu amarguei livrarias cruzando meus dedos para tropeçar naquela irresistível devoção (você sabe, aquela com uma boa capa). Participei de conferências e eventos cristãos, orando (e pagando) para pressionar o coração de Deus. Eu até comprei uma agenda (desculpe-me, diário) para gravar os meus sentimentos! Enquanto todos estes foram úteis, nenhum deles (nem mesmo indo para a igreja) preencheu a lacuna para o bem. Jesus permaneceu tão esquivo como sempre, deixando-me perseguindo-o como uma criança perseguindo um balão ao vento.

O ponto era esforçar-se ao invés de permanecer.

Minha relação de proximidade com Jesus produziu uma vida de esforço, sem permanência, correndo em vez de descansar, e perseguindo a Deus em vez de ser "encontrado nele" (veja Filipenses 3.9). "Permanecer" em Cristo parecia preguiçoso, apático e improdutivo. Eu estava preso e determinado a estar tão perto de Jesus quanto possível. Mas quanto mais determinado eu me tornava, mais ligado me encontrava - ligado pela culpa, frustração e uma lista interminável de expectativas que nunca conseguiria. Fiquei preso entre querer agradar a Jesus e não ser capaz de fazê-lo.

Eventualmente, eu fui consumido com o medo de cair fora de um relacionamento com Jesus completamente se eu não pudesse ter o meu "agir" juntos. Então "agir" foi o que eu fiz. Em público, agi como um crente pacífico, confiante e cheio de alegria, ao mesmo tempo em que cria secretamente que ficaria para sempre oculto para o que eu mais ansiava: o amor e a aceitação do Pai.
 
O resultado foi durar em vez de desfrutar.

No final, tentando manter um relacionamento íntimo com Jesus, eu me senti como que usando fio dental nos meus dentes ou sentado assistindo outro filme Transformers
. Era uma tarefa a ser suportada, não um algo (melhor ainda, alguém) a ser apreciado. Depois de duas décadas, cheguei à conclusão de que eu vivi o resto da minha vida como um cristão aflito e derrotado que nunca iria conseguir uma intimidade duradoura com Cristo. Eu nunca seria bom o suficiente, fiel o suficiente ou comprometido o suficiente.
Quando eu encontrava pessoas que pareciam gostar de seu relacionamento com Jesus, eu me sentia sarcástico, suspeito e pior, invejoso. A vida abundante que Jesus prometeu parecia ser uma miragem - uma ideia agradável num horizonte que nunca alcançaria. Então, eu encolhi o queixo, arregacei as mangas espirituais e suportei a viagem sem fim em direção a uma vida que eu nunca experimentaria neste lado da eternidade.

Como você descreveria seu relacionamento com Jesus? Será que o pensamento dele traz prazer, alegria e gratidão, ou ansiedade, culpa e derrota? Se for estes últimos, talvez seja hora de tentar algo novo. Talvez Deus esteja chamando você para negociar sua perseguição bem intencionada (mas equivocada) com ele e abraçar o fato de que a perseguição terminou, a jornada terminou e que você foi encontrado nele.

Como sua relação com Jesus mudaria se você acreditasse que você já está (agora) tão perto de Jesus quanto possível? E se o ponto de partida (bem como o objetivo final), de acordo com Richard Rohr, não é "lá fora", mas um "já estar lá?"

Isso pode salvar seu relacionamento com Jesus.

terça-feira, 12 de abril de 2016

O desejo da eternidade

Tudo que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou a eternidade no coração do homem; mesmo assim, ele jamais chega a compreender inteiramente o que Deus fez.
Eclesiastes 3.11


O autor de Eclesiastes nos mostra, nos versículos anteriores ao verso acima, como há tempo determinado para todas as coisas. Ainda que tenhamos muitas aplicações para esse assunto, é particularmente espetacular analisarmos que, ainda que a determinação do tempo para cada coisa nos dê tranquilidade e paciência, ou nos mostre nossa impotência perante as situações, anseios e preocupações de nossa limitada vida, Deus está no controle de tudo de tal forma que o tempo serve gloriosamente para nos mostrar que fomos criados para superá-lo. Ou seja, a prisão na qual tempo nos encarcera foi criada para termos desejo de sair dela.



O verso nos diz que Deus colocou a eternidade no coração do homem. Isto implica que o homem, ainda que distante e rebelde ao Criador por causa do pecado, tem dentro de si um desejo para o qual, involuntariamente, busca este Criador. Afinal, é apenas em Deus que encontramos o eterno, como sugeriu João Calvino (Breve Instrução Cristã): "Em nenhuma parte podemos achar a vida eterna e imortal, se não for em Deus. Portanto, o principal cuidado e preocupação de nossa vida deve consistir em buscar a Deus e aspirar a Ele com todo o afeto de nosso coração e encontrar o único repouso somente nEle".

É apenas em Deus que saciamos a demanda eterna de nossos corações, através de Jesus Cristo, por meio da fé. Só assim conseguimos encontrar o repouso do grande fardo que o tempo nos impõe. Por isso, nossa vida é remetida ao excepcional anseio pela eternidade.

Este desejo pelo eterno, contido em nosso coração, nos remete inequivocadamente ao Deus Criador e a capacidade de superar os limites desta vida e deste tempo, o que encontramos somente nEle. O escritor C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, sabiamente conclui:
“As criaturas não nascem com desejos, a menos que exista satisfação para eles. Um bebe sente fome: bem, existe uma coisa chamada comida. Um patinho quer nadar: bem, existe uma coisa chamada água. Se eu encontrar em mim mesmo um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para outro mundo.”

Fomos feitos para outro mundo.Um muito melhor. Um eterno, com Cristo, por Cristo e para Cristo.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Algumas rimas sobre o tempo

O tempo nos ordena e nos padroniza
Para os mais fracos, escraviza
Antes de nascermos temos que esperar
Nove meses segundo o seu contar
Ignorá-lo pode se prejudicial
Nascer antes pode causar algum mal
Pois desafiá-lo pode significar ousadia
E tornar o hoje nosso último dia.

Quando crianças o tempo não passa
Você brinca, corre, xinga, abraça
O dia torna-se o suficiente
A noite não trás alegria pra gente
Que aproveita o dia até cansado cair,
E a noite só serve pra descansar, dormir
E o tempo torna-se um fator ausente
Mas passa manso, tranqüilamente.

Até chegarmos à juventude
O melhor tempo para atitude
Moldando o demais viver
Pensando apenas em crescer
Querendo deixar de ser inocente
Esquecendo-se da sua infância recente
Mas com medo tornar-se um chato adulto
E ser responsável, sério e culto.

É o tempo de muitas complicações
E o tempo ri de nossas indagações
Sendo veloz para mudar fisicamente
Em vagaroso no amadurecer mentalmente
A revolta por ser tempo de mudar
Pois mudar o tempo não vai dar
O mundo não gira em torno da gente
Mas é o que queremos, infelizmente.

Mas o tempo passa e muda demais
E torna-se veloz ainda mais
Trabalho e estudos para se estabilizar
Uma família e uma casa para sustentar
Uma vida corrida, o tempo fugindo
O estresse, cansaço, a cabeça zunindo
Quando mais se ganha mais se precisa
Pois não controlamos Master nem Visa!

Nossas decisões afetam muitas vidas
E nossas paixões se mostram divididas
O problema é algumas delas renunciar
Nos outros ou em mim devo pensar?
A carreira deixa afadigado o coração
E o sossego torna-se sonho ou ilusão
Mas o desejo é o tempo logo passar
E enfim um dia vou me aposentar.

O dia não é mais suficiente
Representa apenas o labor crescente
E a noite torna-se toda a alegria
E ela não mais recompõe a energia
Quanto mais tempo queremos aproveitar
Mais de nós o tempo vai se esquivar
E pedimos então para ele parar
Pois precisamos muito descansar.



O tempo ignora e prossegue a caminhada
E aí começamos a ver a parte trilhada
A vida que vivemos, todo ano que se passou
Desejamos voltar, mas o tempo não perdoou
A vida virou pesar, mantê-la é se medicar
E com esforço a saúde conservar
Para ainda mais um pouco, em melancolia,
Ver que o tempo só deixou nostalgia.

E o tempo acabou-se então
Terminou de vez, de supetão
E o tempo passou, veloz
E nos abandonou, atroz
Caminhou célere ou em lentidão?
Será que tem mesmo velocidade padrão?
Ou por magia adapta-se ao enredo
Demorando um tanto ou indo mais cedo?

Mas só nos basta ao tempo aceitar
Pois há tempo pra tudo realizar
Mas o agora é tempo de amar
E o melhor modo de a vida levar
Cada instante devemos aproveitar
Para não se arrepender quando o tempo acabar
E ao fim de tudo, feliz, exclamar:
Valeu a pena por tudo isto passar!

Mas sozinho não adianta lutar
Alguém ao seu lado deve estar
Alguém que o tempo não pôde parar
É Cristo, o único que pode salvar
Com ele, enfim, poderemos gozar
Em lugar onde o tempo não pode afetar
Pois, hoje o tempo engana a galantear,
E breve sempre está de acabar.

Mas, enfim, neste lugar atemporal,
Viveremos felizes, sem dor, sem mal
Todos nós que cremos no amor divinal
Que deu o Cordeiro sacrificial
Pra remir os homens, sem cobrar pagamento
E, de graça nos dá um grande alento:
Vivermos livres do maldito tempo
Que nos trouxe em vida tanto sofrimento

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Meu testemunho pessoal

Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eu pequei e destituído estive da glória de Deus; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.
Eu, como todos os outros, não entendia; Eu não buscava a Deus. Extravie-me, e fiz-me inútil. Não fazia o bem, igual a todos. Minha garganta era um sepulcro aberto; Com minha língua tratei enganosamente; Peçonha de áspides estava debaixo de meus lábios; Cuja boca estava cheia de maldição e amargura. Os meus pés eram ligeiros para derramar sangue. Em meus caminhos havia destruição e miséria; E não conhecia o caminho da paz. Não havia temor de Deus diante de meus olhos. Ora, eu sabia que tudo o que a lei diz, o diz a mim, que estava debaixo da lei, para que minha a boca estivesse fechada e pra que eu seja condenável diante de Deus. Por isso minha carne jamais será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do meu pecado.
Neste tempo, eu andava segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
Entre os quais eu também antes andava nos desejos da minha carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e era por natureza filho da ira, como os outros também.
Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, estando eu na carne, não podia agradar a Deus.
Não havia esperança, porque andava segundo as minhas imaginações; e fazia segundo o propósito do meu mau coração.




Mas Deus provou o seu amor para comigo, em que Cristo morreu por mim, sendo eu ainda pecador. Porque Deus me amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que, crendo eu nele, não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar, mas para que eu fosse salvo por ele.
Porque se eu, sendo inimigo, fui reconciliado com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliado, serei salvo pela sua vida. E não somente isto, mas também me glorio em Deus por meu Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcancei a reconciliação. Nisto se manifestou o amor de Deus para comigo: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele eu viva. Nisto está o amor, não em que eu tenha amado a Deus, mas em que ele me amou, e enviou seu Filho para propiciação pelos meus pecados.
E assim que estou em Cristo, nova criatura sou; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
Sei que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque antes me conheceu e também me predestinou para ser conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos, do qual eu sou um.
Ele me predestinou e também me chamou; e a mim, que chamou, também justificou; e a mim, que justificou, também glorificou.
Que direi, pois, a estas coisas? Se Deus é por mim, quem será contra mim?
Aquele que nem mesmo poupou a seu próprio Filho, antes o entregou por mim, como não me dará também com ele todas as coisas?
Quem intentará acusação contra um escolhido de Deus? É Deus quem o justifica.
Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por mim.
Quem me separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas sou mais do que vencedor, por aquele que me amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura poderá me separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus meu Senhor.


Todo cristão tem este mesmo testemunho.


Fonte:

Salmos 51:5, Romanos 3:23, Romanos 3:10-20, Efésios 2:2-3, Romanos 8:7-8, Jeremias 18:12, Romanos 5:8, João 3:16-17, Romanos 5:10-11, I João 4:9-10, 2 Coríntios 5:17, Romanos 8:28-39.

*Obs.: Tudo está colocado na primeira pessoa por ser testemunho, não por exclusividade nesta graça.