segunda-feira, 19 de maio de 2014

Majestosa Maestria


Imagine cada detalhe de nossas vidas entregue ao acaso: seríamos vítimas de uma série de possibilidades de caos e desordem. Esse é um gravíssimo problema que nós, que conhecemos a verdade e somos por ela libertos, temos o grande prazer de saber que não existe. Nossas vidas estão totalmente sob o controle do Criador do universo, o Grande EU SOU. E não apenas as nossas vidas, mas todas as vidas, tudo no mundo, todo o universo. Não há um detalhe que lhe escape, não há um pequeno fator que fuja do seu controle.
Toda a criação é como uma melodia, e sabemos que o Virtuose que a compôs também está na regência. Deus rege todo o universo com duas batutas: a da esquerda chama-se graça (comum); a da direita, graça (salvadora). Através da sua graça, agindo pela sua grande misericórdia e bondade, Ele dá testemunho de seu caráter a toda criatura e sustenta tudo o que existe.

“E dizendo: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, o mar, e tudo quanto há neles; o qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos. E, contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações”
(Atos 14:15-17)

“Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos”
(Mateus 5:45)

Mesmo os injustos, os que odeiam o seu santo nome e, movidos pelo pecado, negam sua majestade, a estes o bondoso Deus dá mantimento, vida e muito mais. Negam sua graça por sua cegueira espiritual, mas a respiram incessantemente. A graça que lhes acompanha é alegoricamente colocada em sua mão esquerda. E é à sua esquerda que os tais ficarão no grande dia.
E nós, que cremos nEle? Temos a cada dia mais prazer nas obras de suas mãos!
Se considerássemos cada detalhe de nossa história, cada tropeço, cada piscada, cada tosse, cada ganho, cada perda, entenderíamos que tudo faz parte do plano perfeito do Altíssimo para sua glória, dando sempre o melhor a nós, para nos regozijarmos em nosso Rei.
Não é uma administração enfadonha de um universo rebelde, mas uma majestosa maestria de todas as coisas visíveis e invisíveis, para dar o melhor àqueles que o amam.

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”
(Romanos 8:28-30)

Maravilhoso é receber a graça de sua “batuta esquerda”. Quão mais maravilhoso ainda é receber a graça de sua “batuta direita”! A graça comum, o favor de Deus a toda sua criação, é um grandioso testemunho de sua bondade. Todavia, a graça salvadora, concedida em Cristo, é a maior fonte de alegria que podemos ter. Como Paulo ensina aos romanos, todas as coisas contribuem para o bem dos que desfrutam dessa graça, chamados conforme o propósito de Deus.



É, sem dúvida, é um grande prazer amar a esse Maestro, fazendo parte de sua doce melodia.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Ferida grave e analgésicos

O homem foi criado para relacionar-se com Deus, mas o seu pecado impede tal comunhão. A partir da queda, do pecado original, o homem está morto espiritualmente. Porém, como um zumbi, anda por aí, agonizando em decorrência da falta de paz com Deus e da necessidade do Criador em sua alma. A dor da ausência de Deus em seu coração é muito grande, como uma ferida gravíssima e profunda que precisa ser curada.

A busca por saciar essa escassez em seu âmago é seguida por diversos pecados. Ao invés de buscar Aquele que é a real cura para sua grave enfermidade, busca, em prazeres mundanos, amenizar a sua dor. São os mais famosos analgésicos: sexo, bebidas alcoólicas, drogas, vícios, dinheiro... Todas as coisas que estamos saturados de ouvir. Porém, existe uma tão terrível quanto essas e que parece ser inofensiva: fingir estar com Deus.



Poucos dias atrás, vi um trecho de um documentário sobre uma cantora norte-americana de um considerável sucesso atual (aquela das perucas e fogos de artifícios). Como uma substancial quantidade de artistas da música estadunidense, ela descobriu seu talento cantando em uma igreja. Deixou a igreja, passou dos louvores à extravagância da carreira musical e considerou a alavanca de seu sucesso uma música de apologia à homossexualidade. Quando questionada sobre se abandonou sua fé, negou. Informou à entrevistadora que tinha comunhão com Deus de um jeito diferente, do jeito dela. Discordava de alguns conceitos radicais.

É necessário entender que não existe relacionamento pessoal com Deus definido por qualquer criatura. O Criador definiu como devemos nos relacionar com Ele. Sua palavra, sua lei, sua santíssima vontade estão acessíveis a nosso conhecimento, e o evangelho é o poder de Deus para salvação. Obedecer é amar a Deus.

Achar que se tem um relacionamento com Deus sem que se obedeça à sua palavra é dopar-se com analgésicos para tentar não sentir a dor da ausência divina.

Deus providenciou a restauração da nossa comunhão consigo e a cura dessa grave ferida: Jesus Cristo, o filho de Deus. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Sem ele, nada podemos fazer. Ele mesmo disse, em João 14:21, que "aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele".

Amar a Cristo é guardar seus mandamento. Ignorar seus ensinamentos e achar que se ama a Ele é enganar a si mesmo e vai custar muito caro. É prazeroso amar a Deus e a sua vontade. É delicioso andar segundo a sabedoria que vem do alto. O testemunho do salmista é precioso:

"Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!" (Salmo 119:97)

"[O justo] tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará." (Salmo 1:2-3)

Cristo habite em vocês verdadeiramente, e a palavra de Deus transborde em nosso coração!

Maranata.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um blog, Um Deus Glorioso

"O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre".
Com essa frase, começa a trajetória deste blog. Ela é a resposta concedida à primeira pergunta do "Breve Catecismo de Westminster", um dos principais documentos históricos das igrejas de fé reformada. Esse documento foi criado num contexto de grande despertar da igreja e de retorno às Escrituras, e esse é o objetivo deste blog.
No questionamento de qual é o fim principal do homem, chegou-se à conclusão de que consiste na glória de Deus e em alegrar-se nele para sempre. Porém, algo um pouco além disso é proposto por John Piper em seu livro Em busca de Deus - a plenitude da alegria cristã(Original: Desiring God). O pastor e teólogo americano propõe uma pequena alteração e chega a uma magnífica conclusão: trocar o "e alegrar-se" por "ao alegrar-se". Resulta-se na frase:
"O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus AO alegrar-se nele para sempre"
A glória de Deus é o escopo do ministério de John Piper, e nada do que fazemos glorifica tanto a Deus quanto nos alegrarmos nele. Assim, as palavras "prazer", "alegria" e "gozo" passam a permear a nossa adoração e glorificação do Criador. Em cada detalhe das nossas vidas, se paz a mais doce gozarmos ou dor a mais forte sofrermos, seja o que for, a nossa alegria é para a glória de Deus.
Ter prazer em Deus é confiar em sua providência, é amar o seu caráter, alegrar-se em suas dádivas e desfrutar a sua lei. Obedecer não deve ser apenas um ato de renúncia, mas também de regozijo. Amar a Deus é prazeroso, e sou testemunha disso. Fazer a vontade do Pai sem se ter vontade de fazê-la ou entendê-la como uma obrigação infeliz faz parte de um sacrifício falso, uma adoração sem espírito e sem verdade.
A maior revelação da glória de Deus foi Jesus Cristo. Ninguém teve mais prazer em Deus do que o próprio Filho de Deus. Nisto se resume a nossa presente reflexão: "Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele".
Desafio-o, leitor, a buscar satisfação em Deus. Garanto que, ao encontrá-la, saberá que não há nada, em toda a criação, que o satisfaça mais do que o Criador.

Vivamos para a glória de Deus. Soli Deo Gloria.