Estamos na reta final das eleições presidenciais e vemos uma
guerra nas redes sociais entre bandeiras azuis e vermelhas. Defendendo seu
candidato, pessoas perdem amizades, apelam para as mais sórdidas ofensas,
acusam sem subsídios e até mesmo fazem humor para denegrir ou apreciar os
candidatos.
No meio desses incontáveis debates, estão os cristãos. Como
bons cidadãos, tentam demonstrar seu posicionamento e propagar suas ideias
a favor de um candidato. Todavia, por vezes, entram em caminhos tortuosos para
defendê-los. Alguns, mais perspicazes, apenas criticam um dos lados para não
ter que defender o outro. Muitos esperam um presidente que salve o Brasil.
Os que defendem um candidato como solução vão se
decepcionar. Infelizmente, nenhum dos dois candidatos é cristão e nem pretendem
governar baseados na vontade de Deus. Qualquer presidente terá problemas e
trará problemas. Deve ser apoiado nas boas decisões e reprovado nas más.
Os que apenas desejam a derrota de um deles, sem apoiar o
outro, não devem temer o presidente. O possível avanço de um regime socialista, um
financiamento governamental da militância LGBT e um declarado apreço pelo
islamismo são características que realmente merecem ser combatidas pela igreja
e não podem ser ignoradas. Porém, não são os únicos inimigos da igreja nem as
únicas práticas de gestão que ofendem ao Deus altíssimo. Logo, para que tamanho
desespero? Como o pastor presbiteriano Augustus Nicodemus publicou
recentemente, um cristão deve estar pronto para toda e qualquer autoridade
danosa, seja um César no Império Romano, seja um Hitler na Alemanha. Não deve
apoiar nem votar contra o cristianismo, mas deve estar preparado para viver
Cristo debaixo das piores autoridades governamentais. Afinal, César ou Hitler
seriam líderes tão ruins quanto merecemos? Não. Vivemos numa nação depravada pelo
pecado, cheia de superstições, com níveis alarmante de falsos líderes
religiosos e, ainda, que possui a mim, miserável pecador, como cidadão. Estou
certo de que não teremos um presidente tão bom quanto desejamos, nem tão mau
quanto merecemos.
Entretanto, não precisamos nos preocupar. Em Isaías 37:27, a
respeito de Senaqueribe, rei da Assíria, Deus diz:
“Por causa do teu furor contra mim, e porque a tua
arrogância subiu até aos meus ouvidos, portanto porei o meu anzol no teu nariz
e o meu freio nos teus lábios, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste”
O profeta narra que, ainda que o rei de uma grande potência
reine em furor contra Deus, o nosso Criador põe anzol em seu nariz e freio nos
seus lábios, fazendo-o voltar de onde veio. Não temam, irmãos. Os reinos
terrestres nunca farão tremer o reino celeste. Afinal:
“O SENHOR reina; tremam os povos” (Sl 99:1a)
Não devemos manter nossas esperanças em qualquer presidência
brasileira. Esperemos pelo Rei dos reis e a consumação do reino, a partir do qual ele já
rege, assentado acima dos querubins, à destra do Pai.
