terça-feira, 12 de abril de 2016

O desejo da eternidade

Tudo que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou a eternidade no coração do homem; mesmo assim, ele jamais chega a compreender inteiramente o que Deus fez.
Eclesiastes 3.11


O autor de Eclesiastes nos mostra, nos versículos anteriores ao verso acima, como há tempo determinado para todas as coisas. Ainda que tenhamos muitas aplicações para esse assunto, é particularmente espetacular analisarmos que, ainda que a determinação do tempo para cada coisa nos dê tranquilidade e paciência, ou nos mostre nossa impotência perante as situações, anseios e preocupações de nossa limitada vida, Deus está no controle de tudo de tal forma que o tempo serve gloriosamente para nos mostrar que fomos criados para superá-lo. Ou seja, a prisão na qual tempo nos encarcera foi criada para termos desejo de sair dela.



O verso nos diz que Deus colocou a eternidade no coração do homem. Isto implica que o homem, ainda que distante e rebelde ao Criador por causa do pecado, tem dentro de si um desejo para o qual, involuntariamente, busca este Criador. Afinal, é apenas em Deus que encontramos o eterno, como sugeriu João Calvino (Breve Instrução Cristã): "Em nenhuma parte podemos achar a vida eterna e imortal, se não for em Deus. Portanto, o principal cuidado e preocupação de nossa vida deve consistir em buscar a Deus e aspirar a Ele com todo o afeto de nosso coração e encontrar o único repouso somente nEle".

É apenas em Deus que saciamos a demanda eterna de nossos corações, através de Jesus Cristo, por meio da fé. Só assim conseguimos encontrar o repouso do grande fardo que o tempo nos impõe. Por isso, nossa vida é remetida ao excepcional anseio pela eternidade.

Este desejo pelo eterno, contido em nosso coração, nos remete inequivocadamente ao Deus Criador e a capacidade de superar os limites desta vida e deste tempo, o que encontramos somente nEle. O escritor C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, sabiamente conclui:
“As criaturas não nascem com desejos, a menos que exista satisfação para eles. Um bebe sente fome: bem, existe uma coisa chamada comida. Um patinho quer nadar: bem, existe uma coisa chamada água. Se eu encontrar em mim mesmo um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para outro mundo.”

Fomos feitos para outro mundo.Um muito melhor. Um eterno, com Cristo, por Cristo e para Cristo.