quarta-feira, 26 de abril de 2017

Espírito Santo: Doutrinas da graça x Dispensacionalismo de J. Dwight Pentecost



Ao ler algumas posições dispensacionalistas aplicadas à interpretação escatológica, é perceptível o zelo pela interpretação literal dos textos e uma notável preocupação com a harmonização dos vários discursos referentes à vinda de Cristo. Porém, para conseguir tais feitos, surge, dentre outras, uma grande pedra de tropeço dispensacional: as doutrinas da graça.

Para a soteriologia reformada, a salvação vem do Senhor. Tal afirmação molda o pensar das doutrinas da graça e, como pilares de tais doutrinas, estão as ações do Pai, Filho e Espírito Santo.

Mais especificamente, dentro das ações do Espírito Santo, podemos destacar, entre outras a regeneração. Para Schwertley, a regeneração é “um ato soberano do Espírito Santo sobre o coração (ou a natureza humana toda) da pessoa, no qual a alma é espiritualmente vivificada ou permanentemente orientada numa direção centrada em Deus”. Como bem sabemos, o ensino de Cristo diz que o que é nascido da carne é carne, e o que nascido do Espírito é espírito, sendo que aquele não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. São verdades absolutas, não limitadas à um período da história, mas extensivas a todo ser humano pecador. Paulo, aos Romanos, descreve “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Esse trecho de Romanos 8, versos 8 e 9, nos esclarecem que é impossível que o não regenerado agrade a Deus e que o regenerado é habitação do Espírito Santo.



Neste ponto, há uma grande inconsistência entre as doutrinas da graça e o dispensacionalismo. Conforme o Manual de Escatologia de J. Dwight Pentecost (p. 356): "Devemos notar que o Espírito Santo não assumiu um ministério de habitação em todos os crentes no Antigo Testamento, mas o Senhor, referindo-se a alguém sob essa economia, mostra claramente que a salvação era pela operação do Espírito Santo". Para defender a tese da saída do Espírito Santo no período tribulacional, o autor se vê obrigado a argumentar que o Espírito Santo pode agir para salvação sem habitar o salvo, ensino rigorosamente antibíblico e preocupante. Essa postura é notada nesta frase de Pentescost (p. 346): "Já que todos os ministérios do Espírito para o crente hoje dependem da Sua presença habitando nele, todos os ministérios dela dependentes estarão ausentes em relação aos santos da tribulação" (grifo nosso). Por esse ensino conflitante com as escrituras, percebemos que o dispensacionalismo de Pentecost é uma negação da necessidade do Espírito Santo habitando como penhor da salvação.

Como o excelente artigo de Mauro Meister do site Voltemos ao Evangelho narra, o Espírito Santo habitava os crentes do Antigo Testamento. Não há qualquer vínculo das doutrinas da graça com a ausência do Espírito Santo no salvo, em qualquer época. Logo, temos divisão bem clara e evidente: ou se posiciona dentro das doutrinas da graça, ou se admite o dispensacionalismo de J. Dwight Pentecost.

SCHWERTLEY, Brian. A obra do Espírito Santo nos crentes. Disponível em <www.monergismo.com/textos/regeneracao/obra-espirito-crentes_schwertley.pdf>. Acesso em 26 abr. 2017
PENTECOST, J. D. Manual de Escatologia. Disponível em: <isagogebiblica.xpg.uol.com.br/manual-de-escatologia.doc>. Acesso em 26 abr. 2017
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/habitacao-espirito-santo-nos-crentes-definicoes/
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/habitacao-espirito-santo-nos-crentes-dificuldades/

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