Ao ler algumas posições
dispensacionalistas aplicadas à interpretação escatológica, é perceptível o
zelo pela interpretação literal dos textos e uma notável preocupação com a harmonização
dos vários discursos referentes à vinda de Cristo. Porém, para conseguir tais
feitos, surge, dentre outras, uma grande pedra de tropeço dispensacional: as
doutrinas da graça.
Para a soteriologia reformada, a
salvação vem do Senhor. Tal afirmação molda o pensar das doutrinas da graça e,
como pilares de tais doutrinas, estão as ações do Pai, Filho e Espírito Santo.
Mais especificamente, dentro das
ações do Espírito Santo, podemos destacar, entre outras a regeneração. Para Schwertley,
a regeneração é “um ato soberano do Espírito Santo sobre o coração (ou a
natureza humana toda) da pessoa, no qual a alma é espiritualmente vivificada ou
permanentemente orientada numa direção centrada em Deus”. Como bem sabemos, o
ensino de Cristo diz que o que é nascido da carne é carne, e o que nascido do
Espírito é espírito, sendo que aquele não nascer de novo não pode ver o reino
de Deus. São verdades absolutas, não limitadas à um período da história, mas
extensivas a todo ser humano pecador. Paulo, aos Romanos, descreve “Portanto,
os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na
carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se
alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Esse trecho de Romanos
8, versos 8 e 9, nos esclarecem que é impossível que o não regenerado agrade a
Deus e que o regenerado é habitação do
Espírito Santo.
Neste ponto, há uma grande
inconsistência entre as doutrinas da graça e o dispensacionalismo. Conforme o
Manual de Escatologia de J. Dwight Pentecost (p. 356): "Devemos notar que
o Espírito Santo não assumiu um ministério de habitação em todos os crentes no
Antigo Testamento, mas o Senhor, referindo-se a alguém sob essa economia, mostra
claramente que a salvação era pela operação do Espírito Santo". Para
defender a tese da saída do Espírito Santo no período tribulacional, o autor se
vê obrigado a argumentar que o Espírito Santo pode agir para salvação sem
habitar o salvo, ensino rigorosamente antibíblico e preocupante. Essa postura é
notada nesta frase de Pentescost (p. 346): "Já que todos os ministérios do
Espírito para o crente hoje dependem da
Sua presença habitando nele, todos os ministérios dela dependentes estarão ausentes em relação aos santos da
tribulação" (grifo nosso). Por esse ensino conflitante com as
escrituras, percebemos que o dispensacionalismo de Pentecost é uma negação da
necessidade do Espírito Santo habitando como penhor da salvação.
Como o excelente artigo de Mauro Meister do site
Voltemos ao Evangelho narra, o Espírito Santo habitava os crentes do Antigo
Testamento. Não há qualquer vínculo das doutrinas da graça com a ausência do Espírito
Santo no salvo, em qualquer época. Logo, temos divisão bem clara e evidente: ou
se posiciona dentro das doutrinas da graça, ou se admite o dispensacionalismo
de J. Dwight Pentecost.
SCHWERTLEY, Brian. A obra do Espírito Santo nos crentes.
Disponível em <www.monergismo.com/textos/regeneracao/obra-espirito-crentes_schwertley.pdf>.
Acesso em 26 abr. 2017
PENTECOST, J. D. Manual de Escatologia. Disponível em: <isagogebiblica.xpg.uol.com.br/manual-de-escatologia.doc>.
Acesso em 26 abr. 2017
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/habitacao-espirito-santo-nos-crentes-definicoes/
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2014/10/habitacao-espirito-santo-nos-crentes-dificuldades/

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