O tempo nos ordena e nos padroniza
Para os mais fracos, escraviza
Antes de nascermos temos que esperar
Nove meses segundo o seu contar
Ignorá-lo pode se prejudicial
Nascer antes pode causar algum mal
Pois desafiá-lo pode significar ousadia
E tornar o hoje nosso último dia.
Quando crianças o tempo não passa
Você brinca, corre, xinga, abraça
O dia torna-se o suficiente
A noite não trás alegria pra gente
Que aproveita o dia até cansado cair,
E a noite só serve pra descansar, dormir
E o tempo torna-se um fator ausente
Mas passa manso, tranqüilamente.
Até chegarmos à juventude
O melhor tempo para atitude
Moldando o demais viver
Pensando apenas em crescer
Querendo deixar de ser inocente
Esquecendo-se da sua infância recente
Mas com medo tornar-se um chato adulto
E ser responsável, sério e culto.
É o tempo de muitas complicações
E o tempo ri de nossas indagações
Sendo veloz para mudar fisicamente
Em vagaroso no amadurecer mentalmente
A revolta por ser tempo de mudar
Pois mudar o tempo não vai dar
O mundo não gira em torno da gente
Mas é o que queremos, infelizmente.
Mas o tempo passa e muda demais
E torna-se veloz ainda mais
Trabalho e estudos para se estabilizar
Uma família e uma casa para sustentar
Uma vida corrida, o tempo fugindo
O estresse, cansaço, a cabeça zunindo
Quando mais se ganha mais se precisa
Pois não controlamos Master nem Visa!
Nossas decisões afetam muitas vidas
E nossas paixões se mostram divididas
O problema é algumas delas renunciar
Nos outros ou em mim devo pensar?
A carreira deixa afadigado o coração
E o sossego torna-se sonho ou ilusão
Mas o desejo é o tempo logo passar
E enfim um dia vou me aposentar.
O dia não é mais suficiente
Representa apenas o labor crescente
E a noite torna-se toda a alegria
E ela não mais recompõe a energia
Quanto mais tempo queremos aproveitar
Mais de nós o tempo vai se esquivar
E pedimos então para ele parar
Pois precisamos muito descansar.
O tempo ignora e prossegue a caminhada
E aí começamos a ver a parte trilhada
A vida que vivemos, todo ano que se passou
Desejamos voltar, mas o tempo não perdoou
A vida virou pesar, mantê-la é se medicar
E com esforço a saúde conservar
Para ainda mais um pouco, em melancolia,
Ver que o tempo só deixou nostalgia.
E o tempo acabou-se então
Terminou de vez, de supetão
E o tempo passou, veloz
E nos abandonou, atroz
Caminhou célere ou em lentidão?
Será que tem mesmo velocidade padrão?
Ou por magia adapta-se ao enredo
Demorando um tanto ou indo mais cedo?
Mas só nos basta ao tempo aceitar
Pois há tempo pra tudo realizar
Mas o agora é tempo de amar
E o melhor modo de a vida levar
Cada instante devemos aproveitar
Para não se arrepender quando o tempo acabar
E ao fim de tudo, feliz, exclamar:
Valeu a pena por tudo isto passar!
Mas sozinho não adianta lutar
Alguém ao seu lado deve estar
Alguém que o tempo não pôde parar
É Cristo, o único que pode salvar
Com ele, enfim, poderemos gozar
Em lugar onde o tempo não pode afetar
Pois, hoje o tempo engana a galantear,
E breve sempre está de acabar.
Mas, enfim, neste lugar atemporal,
Viveremos felizes, sem dor, sem mal
Todos nós que cremos no amor divinal
Todos nós que cremos no amor divinal
Que deu o Cordeiro sacrificial
Pra remir os homens, sem cobrar pagamento
E, de graça nos dá um grande alento:
Vivermos livres do maldito tempo
Que nos trouxe em vida tanto sofrimento

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