quinta-feira, 11 de junho de 2015

Algumas rimas sobre o tempo

O tempo nos ordena e nos padroniza
Para os mais fracos, escraviza
Antes de nascermos temos que esperar
Nove meses segundo o seu contar
Ignorá-lo pode se prejudicial
Nascer antes pode causar algum mal
Pois desafiá-lo pode significar ousadia
E tornar o hoje nosso último dia.

Quando crianças o tempo não passa
Você brinca, corre, xinga, abraça
O dia torna-se o suficiente
A noite não trás alegria pra gente
Que aproveita o dia até cansado cair,
E a noite só serve pra descansar, dormir
E o tempo torna-se um fator ausente
Mas passa manso, tranqüilamente.

Até chegarmos à juventude
O melhor tempo para atitude
Moldando o demais viver
Pensando apenas em crescer
Querendo deixar de ser inocente
Esquecendo-se da sua infância recente
Mas com medo tornar-se um chato adulto
E ser responsável, sério e culto.

É o tempo de muitas complicações
E o tempo ri de nossas indagações
Sendo veloz para mudar fisicamente
Em vagaroso no amadurecer mentalmente
A revolta por ser tempo de mudar
Pois mudar o tempo não vai dar
O mundo não gira em torno da gente
Mas é o que queremos, infelizmente.

Mas o tempo passa e muda demais
E torna-se veloz ainda mais
Trabalho e estudos para se estabilizar
Uma família e uma casa para sustentar
Uma vida corrida, o tempo fugindo
O estresse, cansaço, a cabeça zunindo
Quando mais se ganha mais se precisa
Pois não controlamos Master nem Visa!

Nossas decisões afetam muitas vidas
E nossas paixões se mostram divididas
O problema é algumas delas renunciar
Nos outros ou em mim devo pensar?
A carreira deixa afadigado o coração
E o sossego torna-se sonho ou ilusão
Mas o desejo é o tempo logo passar
E enfim um dia vou me aposentar.

O dia não é mais suficiente
Representa apenas o labor crescente
E a noite torna-se toda a alegria
E ela não mais recompõe a energia
Quanto mais tempo queremos aproveitar
Mais de nós o tempo vai se esquivar
E pedimos então para ele parar
Pois precisamos muito descansar.



O tempo ignora e prossegue a caminhada
E aí começamos a ver a parte trilhada
A vida que vivemos, todo ano que se passou
Desejamos voltar, mas o tempo não perdoou
A vida virou pesar, mantê-la é se medicar
E com esforço a saúde conservar
Para ainda mais um pouco, em melancolia,
Ver que o tempo só deixou nostalgia.

E o tempo acabou-se então
Terminou de vez, de supetão
E o tempo passou, veloz
E nos abandonou, atroz
Caminhou célere ou em lentidão?
Será que tem mesmo velocidade padrão?
Ou por magia adapta-se ao enredo
Demorando um tanto ou indo mais cedo?

Mas só nos basta ao tempo aceitar
Pois há tempo pra tudo realizar
Mas o agora é tempo de amar
E o melhor modo de a vida levar
Cada instante devemos aproveitar
Para não se arrepender quando o tempo acabar
E ao fim de tudo, feliz, exclamar:
Valeu a pena por tudo isto passar!

Mas sozinho não adianta lutar
Alguém ao seu lado deve estar
Alguém que o tempo não pôde parar
É Cristo, o único que pode salvar
Com ele, enfim, poderemos gozar
Em lugar onde o tempo não pode afetar
Pois, hoje o tempo engana a galantear,
E breve sempre está de acabar.

Mas, enfim, neste lugar atemporal,
Viveremos felizes, sem dor, sem mal
Todos nós que cremos no amor divinal
Que deu o Cordeiro sacrificial
Pra remir os homens, sem cobrar pagamento
E, de graça nos dá um grande alento:
Vivermos livres do maldito tempo
Que nos trouxe em vida tanto sofrimento

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